... um ano novo do balacobaco.
sábado, 31 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
Kim
De acordo com a decisão de, neste mês, me manter em meio recesso, alimentando o BP com postagens rápidas, sábado passado pus três imagens de uma obra de arte da arquitetura sacra da Idade Média em Paris, a Sainte Chapelle. Hoje, ofereço três imagens de uma obra de arte contemporânea (a terceira imagem eu já postei no fim de julho, mas vale a repetição). Com vocês, Kim Novak, deusa de minha adolescência e juventude. MA RA VI LHO SA. E, antes que feministas radicais me apedrejem, proclamo: exibir KN pode até ser machismo, mas é sobretudo amor ao belo.
Amigos e amigas, apreciem sem questionamentos.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Sainte Chapelle
Para começar, um brevíssimo comentário sobre Sócrates, que se foi domingo passado, dia 4, deixando tristíssimos os fãs do futebol-arte: que cracaço!!!.
Agora, continuando com as postagens rápidas do meio recesso deste dezembro, presenteio vocês com três fotos da Sainte Chapelle - uma das inúmeras belezas escondidas de Paris –, tiradas por minha amiga Enia Mittelman. Vocês sabem, ir a Paris sabendo da existência da Sainte Chapelle e não visitá-la é pecado capital, sem qualquer possibilidade de perdão. Portanto, não relaxem.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Meio recesso
Amigos, amigas. Neste mês de dezembro, o BP estará em meio recesso. Descansar também é preciso. Continuarei a postar aos sábados, mas serão postagens rápidas, quase um oi, tudo bem? Em janeiro, volto a todo vapor. Abraço geral.
Terminando por hoje, atendo ao pedido da Célia Castro: Pra dizer adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto. Em duas versões, pra vocês se deliciarem em dobro.
sábado, 26 de novembro de 2011
Dalton
Eu tinha 6/7 anos, morava em Curitiba, na Rua Marechal Floriano (uma das mais conhecidas da cidade), defronte ao clube dos cabos da PM (ou algo assim) e costumava brincar com um menino de minha idade, José, que vivia numa mansão a meia quadra de minha casa. Mansão com bom quintal, era lá que nos esbaldávamos. José, filho temporão, tinha três irmãos já adultos, um rapaz sem o braço esquerdo (acho que era o esquerdo), perdido, se não me engano, na serraria do pai (com um braço só ele dirigia e jogava futebol) e duas moças, uma de cabelos claros, a outra de cabelos castanhos. Esta namorava um sujeito seriíssimo, de óculos e sempre de terno (azul-marinho ou preto) e gravata. De vez em quando o cara perdia um pouco do ar compenetrado e, em meio a um comentário qualquer, passava a mão na cabeça da gente.
Minha família se mudou para outro bairro, não tão perto da mansão de José, deixei de vê-lo. Fomos nos reencontrar anos depois, já adolescentes-quase adultos, e emendamos um papo comprido. Lembrança daqui-lembrança dali, e aquele cara de óculos, terno e gravata que namorava tua irmã? José soltou uma boa risada, pois ele casou com minha irmã, e você sabe quem é ele?
Ali pelos anos 70, numa de minhas idas a Curitiba, resolvi entrevistar Dalton Trevisan. Eu sabia que ele não dava entrevistas, mas tinha duas armas para dobrá-lo. Procurei-o na empresa da família, as tradicionais Lojas Trevisan (Lojas ou Casas?), e me apresentei: jornalista no Rio, com algumas incursões na área cultural, havia sido criado – a primeira arma – em Curitiba, lera quase todos os seus livros, conhecia bem os cenários... Ele, sem grosseria, me disse que não dava entrevistas, por favor...
Sacando então a segunda arma, muito mais poderosa que a primeira, lhe contei, sem os detalhes aqui necessários, a história que abre esta crônica. Dalton sorriu, que interessante, disse, o menino que brincava com o José era você, parece Borges. Senti uma ponta de orgulho, personagem borgeano, e, certo de que vencera a parada, fiz menção de puxar a caneta e o bloco de notas. Aí, de novo sem grosseria, o mestre repetiu que não dava entrevistas. E, me despachando, disse que falaria de mim ao cunhado José, como é mesmo o teu nome?
Saí triste, caminhei por ruas e praças palmilhadas pelo Vampiro de Curitiba. Me reanimou a ideia de que aquela havia sido apenas a primeira tentativa, um dia eu ainda entrevistaria Dalton Trevisan. Esperança que, transcorridos tantos anos, em certos momentos renasce.
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Agilidade
Caminhava cedo no Aterro, vi um mendigo se exercitando na grama. Fez uma série de abdominais e deu cinco ou seis cambalhotas seguidas. Agilíssimo. O inusitado é que ele cambalhotava para trás. Seria a expressão (inconsciente) do que lhe acontecera na vida?
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PROSEMAS
(Os Prosemas podem até parecer poesia, mas não são.
São apenas exercícios de escrita. Nada mais que exercícios de escrita)
Fazendo
Carta se data
Barata se mata
Grão se cata.
Ideologia se prega
Imposto se sonega
Embrulho se carrega
E a poesia? Poesia se faz
Mas sem rima fácil, Barrabás
(abril/87)
Total
No mundo
há de tudo.
E em tudo,
de tudo.
Nada sobra,
sobra nada.
(janeiro/97)
Trocaletra
Não gagueje. Qual seu adversário?
O elitismo ou o etilismo?
(novembro/02)
sábado, 19 de novembro de 2011
Grande Otelo, Macunaíma
Nos anos 60 (bota tempo nisso), passei a acompanhar PG, colega de redação nas idas a um barzinho da Avenida Princesa Isabel (divisa de Copacabana e Leme), ponto de jornalistas, mulheres (a maioria, mulatas) que trabalhavam em shows de boate e um ou outro ator (e atriz) de algum nome. Entre esses, o de maior expressão era Grande Otelo, que tinha vivido o auge da carreira no antigo cassino da Urca e nas chanchadas de Atlântida, em dupla com Oscarito.
Cupincha de PG, ele costumava sentar-se à nossa mesa. Sóbrio, tinha boa conversa. Bêbado, ficava chato ou agressivo. Certa feita, porém, embora de pileque, apareceu doce e alegre. O fato, contou, era que Joaquim Pedro de Andrade ia filmar Macunaíma, o livro de Mário de Andrade, e o chamara para viver o herói sem nenhum caráter. Estava por demais envaidecido, não escondeu, afinal, ser dirigido por Joaquim, um dos expoentes do Cinema Novo, mostrava que não fora esquecido. Havia no entanto um problema, confidenciou, que precisava ser resolvido logo: ele não conhecia o livro e era imprescindível lê-lo.
“Eu tenho”, me adiantei, “te empresto”. Grande Otelo, o olhar iluminado, me apertou o braço, “sério, você me empresta”? Sim, confirmei, e o aperto no braço aumentou. Trocamos tapinhas amigáveis, combinamos quando eu lhe entregaria o livro. Pouco depois ele foi embora, PG bateu firme, como se Grande Otelo fosse seu desafeto: “Babaca, otário, você vai trazer o livro, o crioulo vai te devolver no dia 30 de fevereiro, esperto ele, por que não vai a uma livraria e compra?” Tomou dois goles, mudou o discurso: “Você não percebeu que o cara está bêbado?, aposto que essa história de filme com o Joaquim Pedro é lorota, lorota de bêbado, de ator que já morreu e não se conforma, você vai perder o livro por nada.” Dei de ombros, “dane-se, vou emprestar e pronto, prometi, vou cumprir.”
Se Grande Otelo leu Macunaíma, não sei. Sei é que me devolveu o livro. E, como todos vocês, sei também que ele brilhou no filme, grande filme do talentoso Joaquim Pedro de Andrade.
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Já que falei no filme de Joaquim Pedro, não posso esquecer de citar Paulo José, que fez o herói sem nenhum caráter em sua fase branca. Tendo começado como galã, Paulo José foi se firmando, até se tornar um dos nossos bons atores. Em Macunaíma, ele já se mostra afiado, pronto para batalhas maduras.
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O cão e sua dona
Gente na rua recolhendo - a mão metida em saquinhos plásticos - fezes de cachorro é comum. Espantoso é o que vi dias atrás: uma mulher limpava com um pedaço de papel higiênico (de boa marca, imagino) o fiote do seu querido cão. Ela obesa, cilíndrica, ele pequeno e fino; ela curvada, a bundarra para o sol, os dedos na futucação, ele compenetrado, senhor da calçada. Realmente, não há limites para o grotesco.
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A vaia
Ontem no Palácio do Planalto, na emocionante cerimônia de assinatura da lei que criou a Comissão da Verdade, que vai apurar a violação de direitos humanos durante a ditadura, houve momentos de aplausos entusiasmados. Só os três comandantes militares se mantiveram impassíveis. Como se estivessem sendo vaiados. E estavam, foi uma vaia interna. Tadinhos...
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